A mão humana pelo mundo

Ao redor do globo, centenas de ecossistemas têm sido afetados pela ação humana. O progresso, atrelado de maneira intrínseca à produção industrial, ao estabelecimento de produtos altamente rentáveis, à destruição de territórios inteiros pela monocultura ou pecuária, vêm destruindo florestas, rios, camadas, oceanos, faunas e floras. Nesse contexto, conhecimento é poder: saber quais locais foram ou estão sendo afetados pela falácia do progresso é um dos meios pelos quais podemos agir para não repetir ou, até mesmo, agir para reverter o processo por meio de ONGs, projetos e demais iniciativas da sociedade civil. 


O site anthropocene, que reúne diversas informações sobre o mais recente período geológico, é fundamentado em um conceito: o funcionamento terrestre está sofrendo alterações e desequilíbrios irreversíveis, consequências diretas da ação humana. A tese é baseada em sólida e vasta evidência de que a atmosfera, a geologia, a hidrologia, a biosfera e outros processos sistêmicos de nosso planeta têm sido alterados pela nossa sociedade e por nossos mais diversos hábitos de consumo. A partir dele, iremos selecionar, semanalmente, alguns dos principais locais do globo que sofreram ou vêm sofrendo mutações graças à indústria e ao estilo de vida humano. 


Mas atenção: nenhuma saída é fácil; livre de complexidades e controvérsias. Por melhores que sejam as intenções de algumas das ações citadas abaixo, validadas pela busca do bem-estar – como, por exemplo, a geração de energia –, ainda assim há consequências irreversíveis para o nosso planeta. O dever de cada um de nós é conhecer cada um desses processos e, principalmente, do que estamos abrindo mão por eles.

 

AMÉRICA DO SUL

Usina Hidrelétrica de Itaipú, Brasil/Paraguai

A Usina Hidrelétrica de Itaipú, formada a partir do Rio Paraná, está localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A barragem é a maior usina em operação em termos de geração de energia por ano, produzindo 98.3 TWh em 2012 e 98.6 TWh em 2013.

O local, visto por muitos como turístico e, até mesmo, enquadrado como método de geração de energia renovável, causou a remoção de aproximadamente 10.000 famílias que viviam nas proximidades à época de sua construção.

Para além da implicação humana, a natureza também foi afetada de maneira severa pela construção da barragem: uma série de imensas cachoeiras, a maior queda d'água do mundo – quanto ao seu volume – foi totalmente destruída.

Com uma formação dependente da reserva de Itaipu, o "Guaíra Falls National Park" foi liquidado pelo governo brasileiro, que dinamitou as rochas submersas onde as cachoeiras estavam localizadas. A ação facilitou a navegação, mas impossibilitou que as cachoeiras fossem restauradas no futuro.

 

 

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