Conheça quatro mulheres que fizeram (e fazem) história na luta pelo meio-ambiente e pela igualdade de gênero

O Dia Internacional das Mulheres foi criado informalmente em meio às lutas pelo direito ao voto feminino e por melhores condições de trabalho. Países ao redor do globo adotaram dias diversos ao longo da história, até que, em 1975, a ONU selecionou oficialmente o oito de março. Há quem comemore a efeméride presenteando mães, esposas, filhas e amigas, mas os diversos desafios enfrentados pela população feminina, como a desigualdade de gênero e os altos índices de feminicídio e violência contra a mulher, pedem que a data ainda seja vivida como um momento de reflexão e respeito por aquelas que lutaram e morreram por nós. 126 anos atrás, a Nova Zelândia tornava-se o primeiro país a permitir que mulheres votassem. Em 1932, quase 40 anos depois, o mesmo aconteceu no Brasil. Nestes tantos anos de luta pela equidade de gênero, vale relembrar algumas mulheres que tiveram um papel central no desafio de ampliar tais conquistas: a brasileira Bertha Lutz participou ativamente na articulação política que garantiu o voto feminino e a igualdade de direitos políticos; ou Malala Yousafzai, jovem paquistanesa que sobreviveu a um atentado e luta ativamente pelos direitos de meninas e mulheres, especialmente no ramo da educação. Dentro da sustentabilidade e na luta pela conservação do meio ambiente, há também diversas agentes que assumiram posições de liderança e tornaram-se nomes cruciais para movimentos ambientalistas e sustentáveis. Como modo de homenagear esse dia e, ao mesmo tempo, relembrar a nossa principal pauta na B.Live – o respeito e cuidado que devemos ter com a nossa maior casa, o meio ambiente – nós separamos quatro mulheres que exercem ou exerceram papéis importantíssimos na conservação de nossa fauna e flora. Graças à elas, milhões de árvores foram plantadas, diversos brasileiros e brasileiras hoje conhecem novas maneiras de reduzir o lixo, movimentos pela proteção de recursos naturais foram criados e comunidades inteiras são protegidas.

Wangari Maathai
WANGARI MAATHAI
Wangari Maathai foi a fundadora do Movimento do Cinturão Verde e, desde cedo, sua trajetória foi repleta de conquistas que quebraram barreiras históricas. Nascida em Nyeri, zona rural do Quênia, Mathaai graduou-se em Ciências Biológicas no Kansas, foi mestrandas em Ciências na Universidade de Pittsburgh e tornou-se a primeira mulher no Leste e na área Central da África a conquistar o título acadêmico de doutora, ao obter um PhD na universidade de Nairobi. Lá, também lecionou anatomia veterinária e foi a primeira mulher da região a conquistar uma cadeira fixa nesse Departamento. Maathai foi também a primeira africana a receber o Prêmio Nobel da Paz. O Movimento do Cinturão Verde (MVC), do qual foi fundadora, já plantou mais de 51 milhões de árvores no Quênia. Foi criado com o objetivo de expandir os conceitos de sustentabilidade e, através deles, consolidar a luta pelos direitos de cerca de 400 comunidades quenianas, que participam ativamente na proteção das terras onde vivem. O MVC utiliza-se de métodos que são atualmente considerados modelos para a reconstituição da biodiversidade e de ecossistemas inteiros. Além disso, o movimento também luta pela redução das mudanças climáticas, pela educação para sustentabilidade de comunidades rurais e pelo empoderamento feminino.

 


MARIA DO SOCORRO DA SILVA
A brasileira Maria do Socorro é uma líder-quilombola e ativista ambiental que reside no Pará. O estado é um dos mais letais para ambientalistas no Brasil, país que, por sua vez, foi apontado como o que mais matou ativistas ambientais em 2017. Os dados divulgados pela organização internacional Global Witness revelaram que, naquele ano, pelo menos 207 deles foram assassinados. Por conta de sua luta pela conservação da Amazônia e pelos direitos das comunidades locais, Maria do Socorro foi um dos destaques de uma série de reportagens do jornal britânico The Guardian sobre ativistas ambientais. A matéria contou um pouco de sua trajetória, denunciou as ameaças que vem sofrendo e explicou quais são as suas principais bandeiras. Nos últimos 10 anos, Maria do Socorro lutou por múltiplas causas: contra a Hydro Alunorte, refinaria norueguesa em Barcarena; contra a Albras, maior fábrica de alumínio do país (ambas já multadas por vazamentos de rejeitos nas regiões onde estão localizadas, precarizando o ecossistema e as populações próximas); contra políticos e investidores que por vezes fazem uso da grilagem, expulsando pequenos agricultores e comunidades locais de suas terras em favor do agronegócio e dos latifúndios.

 

Vandana Shiva
VANDANA SHIVA
Natural de Uttarakhand, estado localizado no norte da Índia, Vandana Shiva é uma pesquisadora e ativista ambiental que luta pela Soberania Alimentar – termo que propõe o total controle dos hábitos alimentares pelas pessoas, tendo como objetivo promover e priorizar agricultores locais e camponeses – e uma das autoras do conceito Altermundialismo – que busca, por meio da interação e cooperação global consciente, fazer oposição às consequências negativas da globalização neoliberal, como os constantes desrespeitos ao meio ambiente, ao clima, às comunidades locais (como indígenas, quilombolas e ribeirinhos), entre outros. Shiva dedicou parte da vida pela defesa da biodiversidade e dos conhecimentos indígenas. Sua pesquisa e seu ativismo são centrados especialmente no conceito da libertação das sementes, ou seja, na rejeição das que são cultivados e patenteados por grandes corporações; ela argumenta que os componentes químicos utilizados e promovidos pela Revolução Verde na agricultura causou a destruição de ecossistemas inteiros, esgotou solos férteis e comprometeu a saúde de populações vizinhas e consumidores. Além disso, Shiva também auxiliou movimentos de empoderamento de grupos locais (grassroots) na África, Ásia, América Latina, Irlanda, Suíça e Áustria, encabeçando campanhas contra os avanços da agricultura viabilizados pela engenharia genética.

 


CRISTAL MUNIZ
Cristal Muniz é uma designer brasileira que participou de um desafio que mudou sua vida: parar de produzir lixo. Ela tomou essa decisão depois que Lauren Singer, do blog Trash is for Tossers, fez o mesmo e estava, à época, sem produzir lixo por dois anos. Nesse processo, Cristal começou a alimentar o site Um Ano Sem Lixo para compartilhar suas tentativas. Baseando-se também na experiência de Lauren (que é americana e, portanto, vive em um contexto diferente), ela buscou soluções próprias para a redução do lixo, adequando-se às condições e à realidade brasileira. O conteúdo que postava em suas redes alcançou cada vez mais usuários, tomando grandes proporções e levando Cristal a participar do TEDx e à produzir um livro com suas dicas e descobertas, chamado Uma vida sem lixo: Guia para reduzir o desperdício na sua casa e simplificar a vida. O objetivo principal de Cristal é zerar até mesmo o consumo do lixo que pode ser reciclado, uma vez que, em determinado momento, o coeficiente de reciclagem se esgota - e a única saída para o produto são os aterros sanitários.


Deixe um comentário

Os comentários devem ser aprovados antes de serem publicados